
Se a máxima de Godard está certa – pra se fazer um filme basta uma rapariga e uma arma – o filme de Götz Spielmann joga a arma ao longe já no primeiro plano. E por esse caminho acompanhamos um filme econômico. Como assim econômico?
Um filme muito próximo do que seria um realismo, ou uma realidade austríaca e se não, uma realidade de boa parte da Europa com relação aos seus imigrantes. Exclusão. Gueto. Em um plano desse tipo: assassinatos, drogas, ilegalidade e prostituição são as armas que o cineasta usa para chegar bem de perto, mesmo usando objetivas distantes, paradas, fixas em uma parede. Se for para se aproximar das personagens, é para conhecer, entender seus dramas. Muito mais do que falar da trama de um casal endividado que resolve assaltar um banco, fala mais pelo fora de campo.
O painel de uma Viena e seus corredores, seus esconderijos, luz neon e clandestinidade. Tudo isso no primeiro ato. E o que é essa Viena escondida? Longe das agências de turismo. É um mapa empoeirado pelo tempo, velho, sujo, saído de uma estação de metro qualquer e que agora é o único enfeite na parede do quarto do jovem casal.
Um já cometeu crimes. Ela (Irinia Potapenko) é prostituta de uma boate estranha, quase que nos arredores de uma Karlsplatz, que nada mais é do que a combinação da imponência da sociedade austríaca e sua riqueza ultrapassada, deslizando sob um subsolo movediço, onde a pior espécie de figuras se encontra. E por isso o filme é belo. É belo pela capital que é só segundo plano, vale mais os campos ao redor de Wien.
Econômico, não pela falta. Econômico pelo essencial que nos faz ver vida.
Eles roubam e a coisa não dá certo. Ela morre. Vamos então acompanhar o drama de Alex (Johannes Krish), conhecer mais gente em uma pequena vila, vamos à classe média austríaca. Vamos ao marasmo. Talvez seja esse o marasmo necessário para as melhores seqüências do filme. Diálogos poucos. Curtos. Pontuados por um silencio de angustia. E se faz um filme alegre. Contraditório. Levanta uma espera. O que vai acontecer. Traição. Redenção. Vingança? Ou colheremos as maças que chegam para o inverno?
O filme está entre os cinco que concorrem ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E por outros motivos – que não cabem aqui – estou na torcida.










