O Magnata é (quase) tão ruim quanto Olga

By Ilo Aguiar

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Sempre que me perguntam o nome de um filme ruim, invariavelmente me lembro de Olga (2004). Claro que existem outros filmes bem piores que esse, mas o melodrama de Jayme Monjardim é um exemplo perfeito do que NÃO SE DEVE FAZER NO CINEMA.

Personagens unidimensonais, roteiro fraco, frases clichês, furos históricos, sem contar os vícios televisivos do diretor de Pantanal. O filme é constrangedor, com momentos que beiram o ridículo e provocam risos quando deveriam trazer lágrimas. São por esses, e outros, motivos que recomendo com entusiasmo e vigor essa obra para todos aqueles que gostam de cinema e querem saber o que não fazer.

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Hoje assisti um filme que rivaliza com Olga: O Magnata. Sabia que o filme não era bom, mas não esperava que fosse tão ruim. Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., é roteirista do longa. Como se essa lástima não fosse o suficiente, a trilha sonora é assinada por sua banda. Não sei se tenho mais pena do Johnny Araújo, que teve a coragem de dirigir a película, ou do Chico Díaz, que faz o papel do advogado da família do personagem-título. Paulo Vilhena passa o filme todo interpretando… Paulinho Vilhena, como sempre. Mas o problema não está apenas nos atores. Não nos sentimos, em nenhum momento, envolvidos pela trama e identificados com as personagens. A trama, inclusive, é de uma obviedade atroz. Somos alertados continuamente do que ocorrerá em seguida. Assim como em Olga, O Magnata trata o espectador como uma criança de 5 anos que precisa ser levada pela mão.

Olga, como vocês devem saber, é baseado em fatos reais e mostra a saga da heroína da forma mais edificante possível. O Magnata, por sua vez, veio da mente fértil de Chorão. Conta a história de um playboy cheio da grana que tem uma banda de rock. Como em 99,99% dos filmes desse gênero, ele aparenta ser um porra-louca, um rebelde sem causa, mas após conhecer alguém (normalmente uma mulher gostosa), ele mostra o quão legal, romântico e perfeito é. Apesar de histórias diferentes, o objetivo das duas películas é o mesmo: as lágrimas do espectador.

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Monjardim e Araújo fazem Ed Wood parecer um grande cineasta

Apesar de O Magnata ser um forte concorrente, ainda fico com Olga como modelo de filme ruim. Afinal, o filme de Chorão é praticamente independente, enquanto que Olga foi patrocinado pela Globo Filmes e tem Fernanda Montenegro e Osmar Prado no elenco. Desastre por desastre, fico com o de maior proporções.

Texto originalmente publicado no Afinidades Eletivas no dia 20 Março de 2008.

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