A vingança do filme barato

By Rená Tardin

Na onda de um bom título para um post de blog, sobre cinema é claro, não podíamos deixar de falar, aqui no Nova-Crítica, sobre o filme do estreante gaúcho Paulo Pons – Vingança -, seguindo no objetivo de nosso projeto: uma reflexão NOVA sobre o cinema que se faz no Brasil e no mundo. Muito mais do que fazer uma resenha, coisa que o leitor ávido de cinema consegue rapidamente em qualquer jornal. O que queremos é trazer a tona coisas interessantes sobre o cinema. E é por aí.

A turma da Pax, produtora do longa, anda fazendo uma espécie de jornada por um cinema barato, por conta das novas tecnologias, e é essa coisa que sempre move as novas vagas do cinema. Uma câmera mais leve, uma película mais sensível, um microfone barato, um steadycam improvisado, um isopor…
A fita é o tipo de filme que me agrada, e olha que nem cheguei perto de uma cópia, pois traz consigo uma mudança de pensamento nas bases da produção cinematográfica brasileira: o orçamento. Como a nossa mídia gosta dos números, é fácil encontrar por aí noticias sobre o filme mais caro brasileiro e sobre o mais barato também. Lembrando que o filme de Paulo (R$80 mil) não é o mais barato. O guerreiro Domingos de Oliveira vem trazendo gás novo ao nosso cinema numérico.

“Não há arte revolucionaria sem forma revolucionária”, bem batido isso, mas não é uma boa verdade?

Um cinema barato, feito com ódio, com sangue nas veias, com uma câmera na mão e a mente a fervilhar. É isso que é cinema. É por isso que me aproximo cada dia mais do cinema. Mas, parece que o circuito ainda não está completo. Já produzimos. Falta o filme chegar. Chegar ao espectador. O filme sempre morre na primeira semana. E ainda não entendi porque essas experiências ainda não estão na Internet. Na verdade eu sei bem, como realizador eu acredito que o filme tenha que ter suas etapas. Ou seja ele tem que percorrer um percurso: festivais, prêmios, estréias nas salas e morte. Com a internet ele tem uma sobrevida e o melhor de tudo: chega bem longe. Na pagina da Pax no youtube podemos encontrar mais de 60 pequenos vídeos sobre o processo de relização do filme. O que é fantástico, transforma o filme em algo próximo, cria uma referência de pesquisa e por aí vai. No site da turma eu encontrei uma ótima reflexão sobre o cinema e a distribuição da produção brasileira. No Blog do Domingos de Oliveira ele é incansável ao tratar do nosso cinema e do processo de realização. Vou até procurar no Torrent, munido é claro do artigo 19 da Declaracão Universal dos Direitos do Homem. Procure o texto e não se martirize quando fizer um download. Quem sabe o filme está perambulando pelas ruas em pequenas doses!

O filme chega a Berlin

No próximo mês o filme chega à capital alemã. E isso é para comemorar. É para mostrar que o nosso cinema anda, anda sempre, mesmo que por ciclos, na vanguarda das produções. Então está criada a categoria: Cinema Digital!

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